“Sinto-me muito feliz e seguro” em Portugal

Primeiro grupo de iraquianos da minoria religiosa yazidi fica em Guimarães, enquanto o próximo será acolhido em Lisboa

Chegaram em silêncio a Lisboa os 24 refugiados yazidis que desde a noite de ontem vivem em Guimarães. Mas, sem quebrar essa reserva, uma menina não resistiu a largar o braço do pai, levantando os braços para acenar e fazer o V da vitória com ambas as mãos.

“Thanks Portugal, I LOVE YOU” (Obrigado Portugal, gosto muito de ti), dizia o cartaz que o único dos yazidis sem família, Saman Ali, trazia bem à vista de todos ao atravessar a zona das chegadas do aeroporto Humberto Delgado (em Lisboa), em direção a uma sala onde foram recebidos pelo ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, e outros responsáveis ligados à área das migrações.

Vindo da Grécia com uma hora de atraso, após escala em Roma, o grupo de 24 refugiados – nove dos quais menores – era constituído por seis famílias e um homem, Saman Ali, que a perdeu às mãos dos terroristas do Estado Islâmico. Uma sétima família de seis elementos adiou a viagem devido a problemas de saúde de um deles, explicou Eduardo Cabrita.

Os yazidis são uma minoria religiosa de origem curda que tem sido alvo de perseguição e massacres na Síria e no Iraque por parte dos apoiantes do Estado Islâmico. Estima-se em 700 mil o número de membros da comunidade, a qual venera um anjo – Melek Tawwus – que o Islão sunita vê como representação do Diabo.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 7 de março.