Demasiadas companhias a voar e aumento de indemnizações explicam falências

Segundo os especialistas, a falência das companhias europeias deriva de fatores que têm contribuído para subir custos das companhias e da necessidade de consolidação

Num mês em que outras duas companhias europeias faliram (as francesas Aigle Azur e XL Airways) a Adria Airways foi a companhia mais recente a falir, sendo que nos últimos dois anos  36 companhias aéreas acabaram por desaparecer.

Segundo Chris Goater, diretor de comunicação da IATA, a justificação para esta situação não está na subida de preços dos combustíveis  nem na concorrência das low cost, mas sim no facto de existirem demasiadas empresas para o negócio, mesmo num período em que existem muitos viajantes.”Basta comparar o número de companhias a voar na Europa e as que existem nos Estados Unidos, que são mercados mais ou menos da mesma dimensão, para perceber que há demasiadas linhas aéreas na Europa.” .

 De acordo com o diretor,  as fusões ou aquisições seriam a única forma para evitar que mais companhias caiam em processos de falência.

Thomas Reynaert, managing director da Aviation for Europe (A4E) constata : “A subida de preço dos combustíveis, a par de um aumento significativo na concorrência, vieram gerar problemas.”  Contudo, as regras europeias são a principal  razão para o fracasso de certas companhias aéreas. “Regulamentos como a diretiva EU261, que prevê os direitos e compensações dos passageiros, e o alargar dos direitos dos passageiros pelo Tribunal Europeu a que assistimos na última década, combinados com alguma má gestão dos serviços de navegação aérea – com os consequentes atrasos e cancelamentos de voos – têm um impacto brutal nas linhas aéreas mais pequenas, explica.

As  indemnizações e compensações garantidas a todos os passageiros que sejam afetados por atrasos ou cancelamentos e os aeroportos a trabalhar no máximo da sua capacidade não ajudam à sucessão de falências verificada, uma vez que sempre que há atrasos ou cancelamentos,  a fatura de custos multiplica-se, o que explica a onda de falências que fez desaparecer uma média de uma companhia aérea europeia por mês, neste ano, como refere Reynaert.

Adaptação da notícia de Joana Petiz de Diário de Notícias a 6 de Outubro de 2019