Arquivo mensal: Outubro 2019

Bruxelas quer impedir tarifas adicionais dos EUA

A Organização Mundial de Comércio (OMC) autorizou segunda-feira, dia 14 de outubro, o início das sanções aduaneiras contra a União Europeia, em resposta aos subsídios concedidos ao construtor aeronáutico europeu Airbus pelos governos europeus

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Em resposta à obrigatoriedade destas tarifas adicionais, a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, garantiu esta segunda-feira que a União Europeia (UE) vai “lutar até ao fim” para impedir esta taxa a produtos europeus, previstas para entrarem em vigor esta sexta-feira.

Numa conferência de imprensa em Bruxelas, Cecilia Malmström diz que escreveu “recentemente uma carta a Robert Lighthizer, representante dos Estados Unidos para a área comercial e negociador chefe para esta área, para lhe dizer novamente que, apesar de eles [Estados Unidos] poderem impor sanções alfandegárias, isso não significa que eles o devam fazer”.

Cecilia Malmström assinalou ainda na sessão, dado que será só no dia 18 de outubro, que “ainda existem mais quatro dias pela frente”, pelo que Bruxelas tentará inverter tal cenário “até ao fim”.

São os 28 países da UE que ficarão afetados pela medida da administração do Presidente Donald Trump, incluindo assim Portugal, onde é a área dos laticínios que será a mais tarifada.

Adaptação da notícia de Lusa na TSF a 14 de outubro de 2019

Olga Tokarczuk e Peter Handke vencem Prémio Nobel da Literatura

Os grandes vencedores das edições de 2018 e 2019 foram anunciados pela Academia Sueca no dia 10 de Outubro

Os dois novos Nobel da Literatura são dois autores conhecidos dos leitores portugueses: Peter Handke e Olga Tokarczuk.

Ilustrador: Niklas Eimehed

Para a Academia Sueca, Hadke, o vencedor da edição de 2019, de nacionalidade austríaca, “influenciou com a sua ingenuidade linguística e explorou a periferia e a especificidade humana.”

O mais recente livro publicado por Peter Hadke no nosso país foi Os Belos Dias de Aranjuez – Um Diálogo de Verão, em 2014, que teve encenação de Tiago Guedes nesse mesmo ano, com a presença do autor aquando da 8.ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival.

A atribuição do prémio a Peter Handke está envolvida em polémica, após o seu discurso no funeral do criminoso de guerra Slobodan Milošević, em 2006. Handke, que tem antepassados eslovenos, foi muito criticado pela sua participação no funeral e pelas suas posições anti-Nato e a favor da Sérvia, apesar de lhe ser atribuído nesse mesmo ano o Prémio Heinrich Heine,  devido às suas posições políticas. No entanto, em 2014, ao receber outro prémio, o Ibsen Internacional, os protestos em Oslo foram uma constante.

Quanto à edição de 2018 do Nobel da Literatura, a Academia premiou a polaca Olga Tokarczuk , finalista do National Book Award 2018 e vencedora do Man Booker 2018 com o romance Viagens, onde relata a história do regresso do coração de Chopin a Varsóvia pela sua irmã.

O anúncio dos vencedores surge após a anulação da última edição de 2018, que esteve envolvida num escândalo de assédio sexual e de corrupção que afetou a Academia Sueca em 2017 e resultou na acusação e prisão de Jean-Claude Arnault, marido da poeta Katarina Frostenson, membro do júri, por ter revelado os nomes de alguns vencedores e ter assediado 18 mulheres.

A principal preocupação do rei Gustavo, patrono da instituição, foi a credibilidade da Academia. Neste sentido, o novo responsável pelo comité de Literatura garantiu que esta categoria surgiria neste ano de forma mais aberta às escritoras e à geografia das literaturas, contrariando a quantidade de prémios concedidos a escritores homens e muito centrada na Europa, que caracterizaram as edições anteriores.

Adaptação da notícia de João Céu e Silva de Diário de Notícias a 10 de Outubro de 2019

Comissão Europeia financia 6 startups

6 empresas portuguesas vão receber financiamento da Comissão Europeia no âmbito do projeto-piloto Accelerator do Conselho Europeu da Inovação

As startups são:

– Winegrid, de Aveiro, que utiliza a inteligência artificial num sistema de sensores de fibra ótica para a monitorização em tempo real das propriedades do vinho durante a vinificação. Esta receberá 1,59 milhões de euros de financiamento.

– Nuada, de Braga, que desenvolveu uma luva eletrónica inteligente que permite levantar pesos até 40 kg protegendo as mãos do utilizador através de um sistema de tendões artificiais. Destina-se tanto a idosos ou vítimas de AVC como a trabalhadores em atividades pesadas e receberá 1,7 milhões de euros de financiamento.

– MyDidimo, de Leça da Palmeira, que transforma fotografias em humanos tridimensionais digitais (os «didimos») com múltiplas aplicações em linha, por exemplo para vermos se a roupa que compramos na Internet nos fica bem. Receberá 1,8 milhões de euros de financiamento.

– Sound Particles, de Leiria, que desenvolveu um software para áudio em 3D, com múltiplas aplicações em cinema, jogos de vídeo e música. Esta startup receberá 1,2 milhões de euros de financiamento.

– Pro Drone, de Lisboa, que criou um drone capaz de simplificar as operações de inspeção de turbinas eólicas, com um financiamento de 1,3 milhões de euros de financiamento.

– Cleverly, também de Lisboa, que desenvolveu o COALA, um software baseado em inteligência artificial para responder a chamadas telefónicas em serviços de apoio a clientes, resultando em ganhos de eficácia e redução de custos para as empresas. Vai receber 1,5 milhões de euros de financiamento.

No total, a Comissão Europeia atribuiu 149 milhões de euros para financiar especialmente empresas em fase de arranque (como as start-up) que vão receber apoio financeiro e técnico no âmbito deste projeto-piloto, que era anteriormente conhecido como Instrumento para PME-Fase 2.

Adaptação da notícia de Dinheiro Vivo a 27 de junho de 2019

União Europeia não cede perante a Turquia

Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk,  acusa a Turquia usar os refugiados como arma de chantagem

© REUTERS/Yiannis Kourtoglou

Após o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ter ameaçado “abrir portas” aos refugiados para que fossem enviados para a Europa, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, não ficou por se pronunciar.

“A Turquia tem de perceber que a nossa maior preocupação é com o facto de as suas ações poderem provocar uma nova catástrofe humanitária, o que é inaceitável, e que nós nunca aceitaremos que os refugiados sejam usados como arma para nos chantagear”, disse Tusk, sublinhando que as ameaças de Erdogan são “completamente despropositadas”. O país surge como asilo para 3,6 refugiados sítios.

Esta ameaça surge no desenrolar da crítica de Bruxelas à Turquia relativamente à sua ação militar no nordeste da Síria que, segundo Tusk, “deve ser parada”.

Foi na quinta-feira dia 10 de outubro, em Ancara, que Erdogan anuncia que “se os [28] tentarem definir a nossa operação como invasão, o nosso trabalho é fácil. Abrimos as portas e enviamos-vos 3,6 milhões de refugiados”.

Adaptação da notícia de Lusa publicada no Diário de Notícias a 11 outubro de 2019

Brexit em debate na véspera da Cimeira Europeia

Bruxelas reúnem-se esta quarta-feira para discutir o futuro do Reino Unido na União Europeia, antes da Cimeira Europeia marcada para quinta-feira

© Toby Melville

A decisão do futuro do Reino Unido na União Europeia continua a prolongar-se numa série de negociações que ocorrem até hoje, dia 16 de outubro, véspera da Cimeira Europeia já marcada.

Vários representantes políticos demonstraram a sua opinião. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, destacou que “se continuam (negociações) é porque são positivas” e “talvez se possa sair do impasse”. Por outro lado, as fontes políticas e diplomáticas em Bruxelas demonstram-se menos otimistas.

É esperado que, ainda hoje, Michel Barnier, negociador chefe da União Europeia, se prenuncie sobre o ponto da situação perante os 27 embaixadores.

As negociações concentram em duas questões estruturais: evitar o regresso a uma fronteira entre a Irlanda, Estado-membro da UE, e a Irlanda do Norte, integrante do Reino Unido, sobre o estabelecimento de controlos aduaneiros; e refere-se, ainda, à clausula de salvaguarda acordado pelas autoridades da Irlanda do Norte e Londres sobre o Brexit, mas que a União Europeia não aceita.

Acordo ainda possível esta semana?

Para uma tomada de decisão ainda esta semana, tal como Michel Barnier afirmou como possível, será necessário escolher entre as três opções: o acordo, a inexistência de um acordo ou a continuação de negociações após a cimeira desta quinta-feira.

Adaptação da notícia de Lusa publicada no Diário de Notícias a 16 de outubro de 2019

Desemprego diminui em Portugal mas aumenta na Europa

A taxa de desemprego em Portugal vai continuar a diminuir neste ano e no próximo e na Europa e zona euro será mais elevada,  de acordo com o FMI  (Fundo Monetário Internacional)

A diretora do FMI, Kristalina Georgieva© EPA/ERIK S. LESSER

Segundo a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, depois de um aumento de 2,4% em 2018, Portugal diminui o ritmo para 1,9% este ano e para 1,6% no próximo ano. No entanto, o peso do desemprego no total da população ativa deve continuar a cair, de 7% em 2018 para 6,1% este ano e 5,6% em 2020.

De acordo com o Governo de António Costa e Mário Centeno o cenário previa ser de um desemprego de 6,6% este ano e de 6,3% no ano que vem.

No geral da zona euro a execução é mais fraca, muito por causa do forte abrandamento das economias alemã, francesa e italiana. Em Espanha, o maior parceiro económico de Portugal também se sente a redução mas aguenta-se perto dos 2% entre 2019 e 2020.

A diretora-geral do Fundo acredita que estaremos numa zona de perigo pois “a economia global está em desaceleração sincronizada, com o crescimento de 2019 a cair novamente – para 3% – o ritmo mais lento desde a crise financeira global”. Há também economistas que afirmam que um crescimento mundial de 3% significa que o globo está já em recessão ou à beira dela.

Adaptação da notícia de Luís Reis Ribeiro no Diário de Notícias a 15 de outubro de 2019

UE. Portugal mais recetivo à igualdade de género

Portugal tem vindo a subir de posição no index desde 2007 no que toca à igualdade de género, mais rápido do que a média da União Europeia, de acordo com o Instituto Europeu para a Igualdade de Género

© Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

Os dados do mais recente Índice sobre Igualdade de Género, relativo ao ano de 2017, revelam que Portugal obtém, no global, 59,9 pontos de cem possíveis, mais 10 pontos do que em 2005 e mais 3,9 do que em 2015, o que  coloca Portugal em 16.º lugar em 28 países da União Europeia (UE). Este ranking é liderado pela Suécia, com 83,6 pontos. O Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês) refere assim que o país tem estado desde 2005 a evoluir a um ritmo mais acelerado do que a média da União Europeia.

“Portugal introduziu uma quota para candidatos legislativos de 33% em 2006, e a percentagem de mulheres no parlamento aumentou de 20% no início de 2005 para 36% em 2015. A fatia de mulheres ministras aumentou de 14% para 35% entre 2005 e 2018 e a fatia de mulheres deputadas também cresceu, de 24% para 36% no mesmo período. As mulheres representam 24% dos membros das assembleias regionais”, lê-se no relatório.

Refere também, apontando como um problema, a concentração desigual de mulheres e homens em diferentes setores de atividades, com 29% de mulheres a trabalhar na área da educação, saúde ou trabalho social em comparação com apenas 7% de homens, que, por sua vez, representam 31% dos trabalhadores nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemáticas, contra 9% de mulheres. “Nos casais com e sem crianças, as mulheres ganham menos um quarto do que os homens”, consta no relatório.

Adaptação da notícia de Lusa publicada na TSF a 15 de outubro de 2019

Marcelo diz que não deseja “a repetição do Brexit”

Presidente da República disse sexta-feira, dia 11 de outubro, que a União Europeia (UE) não deseja um processo similar ao ‘Brexit’ pois considera que isso “enfraquece a Europa”

Marcelo fez parte do 15º encontro dos Presidentes da República sem poderes executivos© Carlo Allegri/Reuters

“Não desejamos a repetição do ‘Brexit’ ou da alegria de alguns países com o ‘Brexit’ para com esta situação que enfraquece a Europa”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa em  Atenas.

No âmbito do 15.º encontro informal dos Presidentes da República sem poderes executivos da UE (o chamado Grupo de Arraiolos),  numa sessão de trabalho sobre desafios modernos na UE, o chefe de Estado português interviu referindo “Se quisermos lutar pela Europa, temos de acreditar na Europa e temos de mostrar na Europa e em todo o mundo que a Europa é um ‘player’ importante”.

Marcelo observou ainda que atualmente “não existe um mundo bipolar” só dominado por potências como a China ou os Estados Unidos, mas um “mundo multipolar”, com várias “ameaças geográficas”.

Falando sobre a China, o Presidente da República destacou a “forte presença cibernética” chinesa noutros países, enquanto relativamente aos Estados Unidos notou que “as novas gerações de políticos norte-americanos estão a afastar-se da Europa”.

Perante as ameaças à segurança da UE, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se também preocupado com os movimentos ligados ao Estado Islâmico, nomeadamente em “regiões vizinhas da Europa”, como o Médio Oriente ou o norte de África, onde “o ‘Daesh’ não tem só uma estrutura, mas também uma espécie de presença territorial”.

Previsto para 29 de março de 2019, o ‘Brexit’ está agora previsto para 31 de outubro, mas ainda não foi feito um acordo quanto à saída. 

O 15.º encontro dos Presidentes da República sem poderes executivos da UE decorreu este ano em Atenas dado que, a primeira vez decorreu na vila alentejana de Arraiolos em 2003, por iniciativa do então Presidente Jorge Sampaio.

Adaptação da notícia de Lusa na TSF a 11 de outubro de 2019

Líder do Eurogrupo mantém-se no Governo de Costa

O “Cristiano Ronaldo das finanças”, como ficou conhecido, foi novamente proposto para liderar a pasta das finanças no futuro Governo de António Costa

– Imagem TSF

Mário Centeno, para além de Ministro das Finanças,  acumula cargos de  ministro do Estado Português  e presidente do Eurogrupo desde janeiro de 2018.

O Ministro nasceu em Olhão, no Algarve, em 1966 e é licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG-Universidade de Lisboa), onde é professor catedrático. Este é ainda doutorado em Economia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América. Em Lisboa, Centeno fez carreira no Banco de Portugal, dedicando-se ao estudo do trabalho e deu aulas no ISEG.

Integrando as listas do PS às eleições legislativas de outubro de 2015 como independente por Lisboa, o mesmo círculo pelo qual concorreu agora, Mário Centeno concorreu ainda ao Eurogrupo. Aqui derrotou os homólogos da Letónia, do Luxemburgo e da Eslováquia. 

O ministro das Finanças português acabou por receber da Europa um reconhecimento importante: foi considerado o “Ronaldo do Ecofin”, o Conselho de Ministros da Economia e Finanças da União Europeia, por Wolfgang Schäuble, um homem importante a nível europeu.

No primeiro comício da campanha eleitoral do PS, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, António Costa lembrou o envolvimento de Mário Centeno na elaboração do cenário europeu e referiu que nessa altura “olharam para ele com enorme desconfiança”. António Costa conclui ainda que, quatro anos depois, “todos quererem ter o seu Centeno. Já há quatro anos devíamos ter desconfiado, porque quem desdenha quer comprar”.

Adaptação da notícia de Lusa na TSF a 15 de outubro de 2019

Portugal é o sexto país que mais recebe refugiados

Portugal acolheu mais de 2000 pessoas com estatuto de refugiados nos últimos quatro anos, sendo o sexto a receber mais no Estado membro da União Europeia no Programa de Colocação

Portugal vai receber “até dez refugiados” do navio Open Arms© REUTERS/Jon Nazca

Durante o Programa de Recolocação da União Europeia concluído em março de 2018, Portugal acolheu 1550 pessoas, número que apenas foi ultrapassado pela Alemanha, França, Suécia, Finlândia e Holanda.

Selado o acordo bilateral assinado com a Grécia, que prevê a transferência de refugiados daquele país, os números podem ainda aumentar e entretanto, Portugal está à espera de receber “até dez pessoas” do navio Open Arms.

Já no domínio do Programa Nacional de Reinstalação (2018-2019), Portugal disponibilizou-se a reinstalar um total de 1010 pessoas, 404 das quais provenientes do Egito e 606 da Turquia.

Ao todo pudemos contabilizar mais de 2100 refugiados recebidos em Portugal em vários municípios, segundo o governo. Este número ainda assim representa apenas metade da quota comunitária de 4486 refugiados​ estabelecida em setembro de 2015.

Adaptação da notícia de Paula Sofia Luz no Diário de Notícias a 5 de setembro de 2019