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EUA: “Trumpcare” não convence todos os republicanos

Depois do Obamacare, agora o Trumpcare. Nos Estados Unidos, os republicanos apresentaram um projeto-lei para revogar a Lei de Cuidados de Saúde Acessíveis, mais conhecido como Obamacare. O novo programa, que já conta com a recusa de pelo menos quatro senadores do partido, prevê cortes no investimento do governo no setor da saúde e que pode deixar milhões de norte-americanos sem acesso a seguros de saúde.

“Uma das razões pelas quais fui eleito foi para anular e susbstituir o “Obamacare”. Há muitas pessoas que acreditam que é uma mudança fundamental, muito importante. Por isso, vamos fazê-lo”, garantiu esta terça-feira o presidente norte-americano, Donald Trump.

O novo programa prevê a eliminação do chamado mandato individual, que exige que todos os cidadãos norte-americanos estejam cobertos por algum tipo de convenção sob pena de pagarem multa e vai também permitir que as agências de seguros privadas cobrem até cinco vezes mais pelas apólices aos mais velhos em comparação com clientes mais novos.

Paul Ryan, porta-voz da maioria republicana na Câmara dos Representantes, explicou que “este projeto de lei, a “Lei de Cuidados de Saúde Americana”, mantém a promessa de anular e substituir o Obamacare. Ou seja, haverá mais opções e concorrência de forma a que cada um possa comprar o plano que precisa e que pode pagar”.

Já do lado dos democratas as críticas a este novo programa, que deve ser discutido esta quarta-feira, são muitas. “O Trumpcare força milhões de americanos a pagarem mais por menos cuidados de saúde”, acusou esta segunda-feira o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

Adaptada de notícia publicada na Euronews a 8 de março.

China propõe suspensão do programa nuclear norte-coreano

A China é o principal aliado da Coreia do Norte, mas a insistência de Pyongyang em desenvolver um programa nuclear e de mísseis balísticos resultou num afastamento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, sugeriu hoje a suspensão do programa nuclear da Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, das manobras militares dos Estados Unidos na Coreia do Sul, para “amortecer a crise” na Península.

Usando uma metáfora, Wang Yi falou numa “colisão” na Coreia entre “dois comboios que aceleram um contra o outro sem que nenhum dos dois queira ceder a passagem”.

“A nossa prioridade atual é acender a luz vermelha e travar ambas as partes”, afirmou Wang Yi durante uma conferência de imprensa em Pequim.

A suspensão recíproca de ensaios militares “pode ajudar-nos” a reduzir a tensão e “devolver as partes à mesa de negociações”, com vista a solucionar a questão de fundo do programa nuclear norte-coreano, acrescentou Wang.

A China é o principal aliado da Coreia do Norte, mas a insistência de Pyongyang em desenvolver um programa nuclear e de mísseis balísticos resultou num afastamento de Pequim.

No mês passado, a China suspendeu todas as importações de carvão do país vizinho até ao final do ano, uma importante fonte de divisas estrangeiras para Pyongyang.

Em troca, a China quer que Washington recomece as negociações com a Coreia do Norte, visando aliviar a tensão regional.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 8 de março.

“Ainda é possível que Marine Le Pen ganhe as presidenciais”

O holandês Cas Mudde é um dos grandes especialistas em populismo. Esteve esta semana em Lisboa a propósito do lançamento em português do seu livro Populismo, uma brevíssima introdução, editado pela Gradiva escrito com Cristobal Rovira Kaltwasser, mas também para participar na conferência O que é o populismo?, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos na Culturgest. Pelo meio falou com o DN sobre a situação que se vive na Europa e os EUA de Donald Trump.

Diz no seu livro que ninguém se refere a si mesmo como populista. Porque é que isso acontece?
No contexto europeu esse é um termo negativo e é visto, no melhor, como sendo não sério, no pior, como anti-democrático. E por isso é um estigma do qual tentam ficar afastados, apesar de, nos anos mais recentes, se ver uma mudança, com alguns políticos a redefinir o populismo e a dizer que ‘bem se o populismo é isso de ouvimos as pessoas comuns então sim eu sou populista ou ‘se o populismo quer dizer que estamos preocupados com o povo, então sim, somos populistas’.

Como é o discurso populista? Quais são as suas grandes causas?
O discurso populista refere-se ao povo de forma positiva, refere-se à elite de forma negativa e refere-se a ambos de forma homogénea, refere-se ao povo no singular, como se fossem apenas um, como se não houvessem diferenças relevantes entre eles. Falam também da elite como uma só. E por isso, muitas vezes, não fazem distinções entre o centro-esquerda e o centro-direita. Tendem a ser mais amigáveis, e a falar de maneira mais simples. Mas há grandes diferenças… Por exemplo, Donald Trump dificilmente consegue fazer uma frase coerente ou escrever um tweet sem um erro de inglês. Já Geert Wilders é bastante eloquente e Marine Le Pen também. Mas estes não usarão um discurso muito burocrático, não usarão muitas abreviaturas e termos técnicos.

Falam claro…
Sim, mas isso não é o que define o populismo. Pode falar-se claro e não ser populista. O que define um populista é falar sobre o povo como um todo, falar da elite como um todo e corruptos.

Falou sobre Donald Trump. Ele é uma elite?
Sim, em certa circunstância, ele é uma elite, se falarmos apenas na sua posição na sociedade. Ele não é só muito rico, ele próprio já disse que faz grande parte do seu dinheiro e dos seus negócios graças às ligações que tem na política de Nova Iorque. Mas ele não se apresenta como tal, ele apresenta-se como sendo um do povo, com os mesmos valores e preocupações, como estando preocupado com o anti-americanismo, com os velhos tabus políticos, ele apresenta-se como sendo um do povo, não como ‘vocês todos vivem como eu na Trump Tower’, mas sim como ‘somos todos iguais porque temos os mesmos valores’.

Mas acha que ele é um líder populista?
Acho que no início, até ele ganhar a nomeação republicana, ele não era populista… no início, ele era fortemente anti-establishment, era um político elitista anti-establishment, porque o que ele via era ele mesmo. E ele dizia vezes em conta ‘eu sou o único que pode mudar isto’ e não é porque ele era a voz do povo, mas sim porque ele era um ser humano excecional que faz os melhores negócios, porque isso era o que ele via. Ele basicamente disse ‘o problema não é o sistema, o problema é que temos feito maus negócios e eu sou o melhor negociador, por isso elejam-me e eu posso mudar isso’. Quando o Steve Bannon chegou ele começou a falar menos sobre si mesmo e dizer mais que eram um movimento, somos um movimento para devolver o poder ao povo. O seu discurso de tomada de posse é um belo exemplo de populismo, no qual ele diz que ao elegê-lo para a Casa Branca o povo estava agora na Casa Branca. Isso faz dele um populista? Faz do final da campanha dele uma campanha populista, mas acho que ele não acredita nisso, não acredito que ele se veja como uma pessoa do povo, ele vê-se como sendo excecional, o melhor ser humano em tudo, mas principalmente em termos de negócios. Ele não quer saber, ele não vai perguntar o que o povo quer, o que o povo pensa, ele vai fazer o que ele acha que deve ser feito. Mas o Steve Bannon vai garantir que soa muito mais aceitável para as outras pessoas.

Voltando à Europa. Quais são as razões para o crescimento do populismo na Europa? É mais do que a crise, os refugiados e o terrorismo?
Particularmente, partidos de direita estavam bastante bem em vários países antes disso, o FPÖ teve 27% dos votos em 1999, Jean-Marie Le Pen já tinha tido 16% nos anos 90. Já havia alguma coisa ali, porque em parte falava para desenvolvimentos a longo prazo em sociedades onde as pessoas estavam menos integradas, as pessoas estavam menos ligadas a partidos políticos, eram mais cépticas em relação aos seus líderes e elites. Ao mesmo tempo a economia estava muito bem e o multiculturalismo da União Europeia estava ainda distante do nosso dia-a-dia. Isso mudou rapidamente. A grande recessão deixou claro que a União Europeia está em todo o lado e já não temos só políticos nacionais. A crise dos refugiados trouxe a imigração outra vez para a agenda, o que já não acontecia há duas décadas. A discussão era a integração, não a imigração. E o terrorismo acentuou o Islão. Mas mesmo quando a crise dos refugiados for resolvida e a grande recessão acabar o populismo vai continuar por aí, particularmente o populismo de direita. Não vai ser tão bem sucedido como é agora, mas também não vai desaparecer.

Atualmente quando falamos de populismo falamos principalmente do populismo de extrema-direita e não da extrema-esquerda. Porquê?
O populismo per se não é assim tão popular. O populismo radical de direita é que é popular. O populismo radical de esquerda é extremamente impopular. Existem dois casos de sucesso de populismo radical de esquerda na Europa, o Syriza e o Podemos, que são dos países com as taxas mais altas de desemprego. Partidos de esquerda tradicionais como o Die Link, na Alemanha, mal beneficiaram com a crise. Outros partidos populistas de esquerda moderaram-se ou não se saíram particularmente bem. Penso que há uma variedade de razões para isso, a primeira é que é mais fácil mobilizar na base do medo em vez de, digamos, desilusões mais racionais. Por isso, vender o sistema sócio-económico como falhado, que deve ser revisto e culpar as elites disso é mais difícil do que dizer que os muçulmanos vêm aí ou que a União Europeia está a minar a nossa democracia. O interessante no Syriza é que é um partido radical de esquerda, mas é ao mesmo tempo um partido que joga muito com o nacionalismo e na xenofobia, não em relação aos imigrantes, mas em relação aos alemães. E isto é subestimado, porque é muito mais importante para este tipo de esquerda patriótica, como eles gostam de se chamar. E esta é uma das grandes diferenças entre o Syriza e o Podemos e também uma das razões porque o Podemos não é tão grande como o Syriza, porque o Podemos não alimenta este tipo de xenofobia.

A Europa enfrenta um importante ano eleitoral. O que acha que vai acontecer em França e na Alemanha?
Acho que a Alemanha é mais fácil do que a França, no sentido em que a AfD vai entrar no Parlamento e não vai ser particularmente grande. A eleição tornou-se interessante porque o SPD regressou dos mortos, mas no geral vai ser uma eleição alemã muito normal entre o centro-direita e o centro-esquerda. Se as coisas correrem muito bem a Marine Le Pen os media vão concentrar-se desproporcionalmente na AfD, mas isso não faz deles maiores. E a história real é que as eleições alemãs são ridiculamente antiquadas com uma luta eleitoral entre o centro-direita e o centro-esquerda que não viraram mais à direita ou à esquerda. As eleições francesas estão completamente em aberto. Há um mês dizíamos que o Fillon ganhava, agora é o Macron e quem sabe, na próxima semana pode ser o Juppé. Até o Sarkozy é uma possibilidade. Honestamente não sei. De acordo com todas as sondagens, Marine Le Pen não ganha na segunda volta, acredito firmemente que é isso que vai acontecer. Mas quero sublinhar que não estamos em 2002, Jean-Marie Le Pen era bem mais polarizador que a Marine Le Pen, a França era muito diferente do que é agora, e por isso o Jean-Marie Le Pen teve 17% na primeira volta e 19% na segunda volta. A Marine Le Pen vai ter cerca de 25% na primeira volta e cerca de 40% na segunda e essa é a verdadeira história. A história não é que a Marine Le Pen passou de 17 para 25% na primeira volta, a história é que agora há uma parte considerável da população que não considera a Marine Le Pen inelegível. E isso deve-se em parte porque a França virou-se mais à direita, deve-se em parte porque os outros políticos não são inspiradores (apesar do Jean-Marie Le Pen ter concorrido contra o Jacques Chirac, que era muito pouco inspirador). A diferença de 16% entre Marine Le Pen e Macron, segundo as sondagens, significa que tem de haver uma mudança de 9% e isso não é impossível, e nem sequer estamos a falar dos 3% de margem de erro, o que significa que teria de haver uma mudança de 6%. Um ataque terrorista significativo pode fazer isso… Ainda espero que o Macron ganhe, mas ainda é possível que Marine Le Pen ganhe. Uma grande participação dos eleitores será crucial. E penso que esta será maior com o Macron do que com o Fillon. Se for uma segunda volta Fillon-Le Pen será dramático para o centro-esquerda, será entre uma pessoa de direita e uma de extrema-direita. Mas também quererá dizer que muitas pessoas de esquerda não irão votar porque será uma escolha demasiado irrelevante para elas e isso poderá beneficiar a Le Pen.

O que acha que poderá acontecer à Europa com Marine Le Pen presidente de França?
A Europa está a viver tempos dramáticos mas acho que nenhum país, além do Reino Unido, irá sair da UE através de um referendo. O Reino Unido tem tantas coisas que são únicas, incluindo uma comunicação social muito eurocética. Na campanha, a grande atenção dos media ia para o sair e isso é impossível em qualquer outro país. Marine Le Pen quer um referendo para sair da UE, ela moderou ligeiramente esta ideia, dizendo que vai negociar por meio ano e ‘se eles não fizerem o que eu quero teremos um referendo’. Obviamente que não lhe vão dar o que ela quer e se fizerem um referendo acho que ela perde. Mas essa não é a questão, a questão é que desalinha a União Europeia. Sem os franceses e os alemães a trabalharem em conjunto nada acontece dentro da UE, por isso não vai acontecer nada. Nem mesmo no Norte. Por isso todo este plano, que sempre se teve, de uma Europa a duas velocidades, mesmo esse tem de contar com a França. E esse é o problema. Mas na verdade eu acho que o grande desafio vem da Itália. As eleições antecipadas são quase inevitáveis e serão desastrosas, principalmente agora que o Partido Democrático se está a dividir, quando temos o Movimento [5 Estrelas] como o partido mais importante, diminui toda a confiança remanescente no sistema italiano. A confiança é a única razão pela qual ainda não foi declarada a bancarrota de Itália. E por isso se a economia italiana for tida como instável a zona euro fica instável. Por isso acho que estamos a olhar para os países errados.

E o que acha que vai acontecer com o brexit?
O brexit é mal interpretado como sendo uma vitória do populismo. O populismo foi crucial para a vitória, mas não foi o populismo, não foi o UKIP, que criou o referendo, não foi o UKIP que o ganhou. Sem o apoio dos conservadores convencionais não teria havido um referendo e não teria havido uma maioria. Dito isto, sem o UKIP não teriam conseguido a maioria. Foram eles que trouxeram a imigração que os levou ao topo. Penso que o brexit não precisa de ser um grande drama, se há um país que pode sair é o Reino Unido – não está no euro, não está em Schengen, tem o seu próprio sector financeiro, tem algumas trocas comerciais fora da UE. Vai ser problemático e vai custar muito dinheiro a curto prazo, mas obviamente que é preciso um plano. E é absolutamente impressionante como não havia nenhum tipo de plano. Agora vamos entrar nas negociações mais complexas de sempre sem ter especialistas, sem ter um plano. E isso vai custar muito dinheiro e a libra vai baixar, empresas vão fugir do país… Muitas destas coisas não eram necessárias, mas são a consequência de uma combinação de políticos tradicionais e populistas a forçar algo sem fazer bem ideia do que estavam a fazer. Penso que muita gente votou a favor do brexit por motivos não populistas, como a soberania nacional, o que se pensarmos bem é irracional, mas se a acham importante, porque não? O brexit é também um sinal para outros países e o que fez, no curto prazo, foi tornar as pessoas mais pró-europeias. Eu sou um exemplo disso: profundamente eurocético, até há pouco tempo pensava que era melhor a Holanda sair da UE, apesar de não poder falar muito disso porque atualmente não vivo na Holanda. Depois do brexit dei por mim a não apoiar nenhuma saída sem ver um plano convincente.

Falando no seu país, a Holanda. Porque é que Geert Wilders é tão popular?
Ele é popular porque tem um discurso político muito islamofóbico, que já tivemos antes dele – ele piorou-o – começou depois do 11 de Setembro, com o Pim Fortuyn, por isso há uns tempos que falamos de integração e imigração. Muitos holandeses sentem que o Islão ameaça valores tradicionais holandeses, que são valores liberais, mas que nós consideramos serem mais holandeses que liberais – igualdade de géneros, direitos homossexuais, separação de Estado e igreja – e o Wilders é a voz perfeita para isso. Ele não tem uma história de direita radical, ele saiu de um partido conservador, ele é muito bom político, é inteligente, sabe o que os seus eleitores querem, ele conhece os temas, ele conhece as fraquezas dos seus opositores e ele sabe as fraquezas da imprensa – ele tweeta uma ou duas vezes por dia, pensa bem no que vai tweetar e os media seguem-no, é assim que ele domina as discussões. A vantagem disso é que estamos a falar dos temas dos quais ele quer falar nos termos que ele quer. Ele não vai à televisão, ele não dá entrevistas… o que os media fazem é pegar no que ele tweeta e perguntar aos outros políticos o que pensam, o que é uma derrota para outros políticos. Por outro lado, quando o debate girou em torno dos assuntos económicos não se ouviu nada do Wilders, porque ele não tem nada a dizer sobre este tema.

Geert Wilders esteve à frente das sondagens durante meses, agora lidera o primeiro-ministro, Mark Rutte. O que acha que vai acontecer?
Se a tendência realmente se mantiver, Wilders pode não ser o segundo, mas sim terceiro ou quarto, porque Rutte tem à volta de 17%, Wilders cerca de 15%, depois temos quatro partidos que estão entre os 10 e os 12% e todas as margens de erro são de 3%. Por isso está tudo um pouco no ar. Se o Wilders tiver um mau resultado ele pode ser quinto, se lhe correr bem pode ser primeiro. A diferença é de cerca de 5%, e isto é a política holandesa nos dias de hoje. O problema é a percepção, mas no final não tem assim tanta importância se temos 15 ou 17%. Não importa num sistema proporcional, num sistema parlamentar, não interessa se somos primeiros ou não, interessa se conseguimos formar uma coligação. A imprensa internacional, mas também a holandesa, fala como se se tratasse de uma eleição presidencial, como se estivéssemos a eleger o primeiro-ministro, e isso deve-se, em parte, porque o Wilders tem feito isso, e o Rutte tem feito isso, por ambos beneficiam disso. No final, acredito que o Rutte será o primeiro, ele tem feito isso ao virar à direita, ele tem arrastado os democratas-cristãos com ele, que também têm virado à direita, também temos um partido que é muito cético em relação ao Islão – todos estes partidos podem juntar-se, mas se não incluírem o PVV do Geert Wilders, terão também de trabalhar com o D66, com o Groenlinks, possivelmente até com os sociais-democratas. O próximo governo provavelmente terá cinco partidos, se não mesmo seis. A participação de Wilders será altamente improvável devido à animosidade pessoal entre ele e Rutte, mas se não houver alternativa, poderá acontecer. Mas também poderão haver umas novas eleições se a coligação governamental for tão problemática.

O que aconteceu ao Labour holandês?
O Labour tornou-se a si mesmo totalmente irrelevante, como aconteceu em muitos outros países. Os sociais-democratas holandeses foram dos primeiros a entrar na chamada terceira via, eles sempre foram muito pragmáticos. Depois entraram numa coligação com o Partido Conservador, que está mais à direita do que nunca, e o Mark Rutte tem reclamado para si quase todos os sucessos que foram bem aceites, e quando algo era impopular insinuava que se devia aos sociais-democratas. Os sociais-democratas têm um grande problema, que é encontrar espaço no sistema político holandês – ao irem pelo novo rumo trabalhista, isso é onde está mais ou menos o D66, por isso não há nada ali, não podem voltar para a posição de esquerda porque é onde estão os socialistas. E ao mesmo tempo têm toda uma classe de políticos que querem estar em posições de poder.

Uma última pergunta. O que acha da solução governativa portuguesa, a chamada geringonça?
Tenho de admitir que segui o processo de coligação porque estava intrigado com o argumento do presidente, de que não podia haver um governo de esquerda. O que eu acho mais notável é que não tem a atenção da imprensa internacional que deveria, porque é uma história nova, já não existem governos de esquerda em lado nenhum. Acho que o problema é que a construção é única e mais ou menos contra-intuitiva e, como consequência, vive do seu sucesso. Se mostrar que não consegue cumprir toda a gente será brutalmente castigada. É demasiado fora do comum trabalhar desta forma e por isso o ónus da prova está neles. Quem será mais castigado é a grande questão. Em qualquer dos casos, imagino que dará espaço para novos partidos, paradoxalmente partidos de esquerda.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 8 de março.

Hungria: ONU denuncia estabelecimento de detenção sistemática de refugiados

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados diz que a Hungria está a “violar as obrigações a respeito do direito internacional e das normas da União Europeia”.

A reação das Nações Unidas surge depois do parlamento húngaro ter votado o restabelecimento da detenção sistemática, em campos junto à fronteira, de todos os migrantes que entram no país, uma medida que tinha sido abolida em 2013 sob pressão da União Europeia e da ONU.

A porta-voz da agência das Nações Unidas para os Refugiados, Cecile Pouilly, afirma que “na prática, significa que cada requerente de asilo, incluíndo crianças, será detido em contentores cercados de arame farpado, na fronteira, por longos períodos de tempo, com um impacto físico e psicológico terrível para mulheres, crianças e homens que já sofreram bastante”.

Numa cerimónia de entrada em funções de 462 novos guardas-fronteiriços, o primeiro-ministro húngaro defendeu a medida, afirmando que o país está “em estado de sítio”.

Viktor Orban disse que “a crise migratória vai durar até que sejam tratadas as raízes do problema. Vai durar até que seja reconhecido, por todos os lados, que a migração é o cavalo de Tróia do terrorismo”.

A Hungria ergueu em 2015 uma enorme barreira para parar os migrantes nas fronteiras com a Sérvia e a Croácia, depois de ter sido um dos principais países de trânsito dos refugiados que tentavam chegar à Europa Ocidental e, desde então, não tem parado de endurecer a legislação a respeito da imigração.

Adaptação de notícia publicada na Euronews a 8 de março.

União Europeia aprovou a criação de um quartel-general

A União Europeia aprovou a criação de um quartel-general para as suas operações militares no estrangeiro. Os Estados-membros podem optar por participar nas missões de forma operacional ou apenas como observadores.

No final da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, esta segunda-feira, em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, disse sentir-se “muito encorajada pelo facto de termos tomado decisões muito importantes. Há apenas cinco ou seis meses seria impossível imaginar esta situação”.

“Isso mostra que os decisores europeus entenderam que a segurança é uma prioridade para os cidadãos. Obviamente que o ambiente global nos convida a assumir maiores responsabilidades e a maneira de as assumir, nos domínios da defesa e da segurança, é através da União Europeia”, acrescentou Federica Mogherini.

A flexibilidade nesta política tenta acomodar os países mais reticentes quanto à ideia de um futuro exército europeu, tais como Reino Unido, que sempre foi contra o projeto, dizendo que duplica os esforços da NATO.

Mas o Brexit retirou algum do peso ao argumento e há uma maioria de países que defende maior coordenação europeia face às ameaças geopolíticas.

Adaptação de notícia publicada na Euronews a 6 de março.

Comissão Europeia lança Corpo Europeu de Solidariedade em Lisboa

No discurso do Estado da União em setembro último, o Presidente Jean-Claude Juncker, convicto de que a solidariedade é o cimento da coesão da Europa, anunciou a criação e os objetivos do Corpo Europeu de Solidariedade: «Existem muitos jovens na Europa, com consciência social, dispostos a dar um contributo significativo à sociedade e a mostrar a sua solidariedade. Nós podemos facultar-lhes a oportunidade de concretizar esses projetos […]. Os jovens de toda a União Europeia poderão assim oferecer-se para ajudar onde for mais necessário e para dar resposta a situações de crise […]».

O Corpo Europeu de Solidariedade vai promover oportunidades concretas de solidariedade para jovens europeus (de 18 a 30 anos) onde mais é necessário e com vários formatos – voluntariado, estágio, trabalho.

O Corpo vai responder às necessidades de comunidades vulneráveis, de estruturas nacionais e locais num vasto leque de temas como alimentação, limpeza de florestas ou integração de refugiados. Ao fomentar a solidariedade, os participantes vão ajudar, aprender, conhecer novas realidades e desenvolver competências essenciais para a sua carreira.

Adaptação de notícia publicada no Portugal2020 a 5 de dezembro.

Hungria constrói segunda vedação para travar o fluxo migratório

Para travar o eventual aumento do fluxo migratório na primavera, a Hungria começou a construir uma segunda vedação, paralela à que erigiu em 2015, ao longo da fronteira sul com a vizinha Sérvia.

A medida anunciada, esta segunda-feira, poderá fazer aumentar as críticas das instituições europeias e de alguns Estados-membros de que o país aprova medidas unilaterais e pouco solidárias nesta matéria.

Zoltán Kovács, porta-voz do governo húngaro em Bruxelas, explicou à euronews que a decisão “está relacionada com o que está a acontecer nas fronteiras europeias e, obviamente, com o acordo de migração com a Turquia”.

“Mas tem, sobretudo, a ver com a estimativa de que cerca de 80 mil pessoas ainda usam a rota dos Balcãs Ocidentais. A primavera está a chegar e, de acordo com uma estimativa alemã, cerca de seis milhões de pessoas estão à espera para entrar na União Europeia (UE)”, acrescentou.

O governo de Budapeste alega que tenta manter a segurança no espaço Schengen de livre circulação, controlando a sua parte da fronteira externa. O primeiro-ministro, Viktor Orban, considera que a migração é uma das maiores ameaças ao status quo na UE.

Mas a Hungria também se tem recusado a receber a sua quota de refugiados e tem sido acusada por várias entidades de abusos contra os requerentes de asilo.

Duas organizações de defesa dos direitos humanos, Hungarian Helsinki Committee e a Human Rights Watch, enviaram, na passada sexta-feira, uma queixa ao Comissário europeu para Migrações, Dimitris Avramopoulos, sobre as práticas atuais e propostas legislativas que bloqueiam a passagem e aumentam as deportações.

Adaptação de notícia publicada na Euronews a 27 de fevereiro.

Oceanos em 2050 vão ter mais plástico do que peixes

Fórum considera necessário “uma reformulação total das embalagens e dos plásticos em geral”, bem como a procura de alternativas ao petróleo.

O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que em 2050 os oceanos vão ter mais detritos plásticos do que peixes, alertou o Fórum Económico Mundial de Davos.

“O sistema atual de produção, de utilização e de abandono de plásticos tem efeitos negativos significativos: entre 80 mil milhões a 120 mil milhões de dólares (entre 73 mil milhões de euros a 109 mil milhões de euros) em embalagens de plásticos são perdidas anualmente. A par do custo financeiro, se nada mudar, os oceanos terão mais plásticos do que peixes (em peso) até 2050”, indicou um comunicado do fórum, que vai reunir até sábado líderes mundiais e bilionários.

Estas conclusões têm como base um estudo da fundação da reconhecida velejadora britânica Ellen MacArthur, em parceria com a consultora McKinsey.

Segundo o relatório, a proporção entre as toneladas de plástico e as toneladas de peixe registadas nos oceanos era de um para cinco em 2014. Em 2025, será de um para três e em 2050 irá evoluir de um para um.

O fórum considera necessário “uma reformulação total das embalagens e dos plásticos em geral”, bem como a procura de alternativas ao petróleo, a principal matéria para a produção do plástico.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 20 de janeiro.

Diretora do FMI foi declarada culpada por tribunal francês

Um tribunal especial francês considerou a atual diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) culpada de “séria negligência” no caso de um pagamento estatal a um empresário.

Christine Lagarde, recebeu o veredito de culpada por negligência durante o processo de indemnização estatal pela venda da Adidas a um banco público, em 1994. Na altura, o Estado teve de indemnizar o empresário, próximo de Sarkozy, em 404 milhões de euros, com o argumento de que o banco tinha conseguido um lucro exagerado graças à Adidas.

Contudo, ainda não foi definida qualquer punição. A atual líder do FMI não terá também qualquer registo criminal deste veredito.

Neste caso, também são arguidos,  o seu chefe de gabinete em 2007 e atual presidente da operadora de telecomunicações Orange, Stéphane Richard por cumplicidade.

In SAPO

Israel divulga pedido de clemência do nazi Adolf Eichmann: “Não fui responsável”

“Fui um mero instrumento” e “como tal não me sinto culpado” pelos crimes do Holocausto, escreveu o criminoso de guerra que foi raptado pela Mossad na Argentina.

Dois dias antes da sua morte, por enforcamento, o conhecido criminoso de guerra nazi Adolf Eichmann, que foi capturado por agentes da Mossad na Argentina, tentou evitar a execução entregando um pedido de clemência ao então Presidente de Israel, no qual se descrevia como “um mero instrumento” forçado a cumprir a política de extermínio do regime de Hitler e não um dos arquitectos do Holocausto.

“Não fui eu o responsável e como tal não me sinto culpado”, escreveu Eichmann, para quem o tribunal sobrestimou o seu papel na morte de milhões de pessoas nos campos nazis. “Na sua avaliação da minha personalidade, os juízes cometeram um erro porque foram incapazes de simpatizar com a situação em que eu me encontrei durante anos”, alegou. “Nunca servi com uma patente tão elevada que me permitisse ter poderes de decisão independentes. Nunca dei uma ordem em nome próprio, limitei-me a agir no cumprimento de ordens que me foram dadas”, justificou, num derradeiro protesto da sua inocência.

A declaração, um manuscrito de duas páginas redigidas em alemão, foi divulgada pela primeira vez no dia em que se assinalou o 71º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, consagrado como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Notícia publicada no Público a 27 de janeiro.