Arquivo da categoria: Mundo

Oceanos em 2050 vão ter mais plástico do que peixes

Fórum considera necessário “uma reformulação total das embalagens e dos plásticos em geral”, bem como a procura de alternativas ao petróleo.

O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que em 2050 os oceanos vão ter mais detritos plásticos do que peixes, alertou o Fórum Económico Mundial de Davos.

“O sistema atual de produção, de utilização e de abandono de plásticos tem efeitos negativos significativos: entre 80 mil milhões a 120 mil milhões de dólares (entre 73 mil milhões de euros a 109 mil milhões de euros) em embalagens de plásticos são perdidas anualmente. A par do custo financeiro, se nada mudar, os oceanos terão mais plásticos do que peixes (em peso) até 2050”, indicou um comunicado do fórum, que vai reunir até sábado líderes mundiais e bilionários.

Estas conclusões têm como base um estudo da fundação da reconhecida velejadora britânica Ellen MacArthur, em parceria com a consultora McKinsey.

Segundo o relatório, a proporção entre as toneladas de plástico e as toneladas de peixe registadas nos oceanos era de um para cinco em 2014. Em 2025, será de um para três e em 2050 irá evoluir de um para um.

O fórum considera necessário “uma reformulação total das embalagens e dos plásticos em geral”, bem como a procura de alternativas ao petróleo, a principal matéria para a produção do plástico.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 20 de janeiro.

Diretora do FMI foi declarada culpada por tribunal francês

Um tribunal especial francês considerou a atual diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) culpada de “séria negligência” no caso de um pagamento estatal a um empresário.

Christine Lagarde, recebeu o veredito de culpada por negligência durante o processo de indemnização estatal pela venda da Adidas a um banco público, em 1994. Na altura, o Estado teve de indemnizar o empresário, próximo de Sarkozy, em 404 milhões de euros, com o argumento de que o banco tinha conseguido um lucro exagerado graças à Adidas.

Contudo, ainda não foi definida qualquer punição. A atual líder do FMI não terá também qualquer registo criminal deste veredito.

Neste caso, também são arguidos,  o seu chefe de gabinete em 2007 e atual presidente da operadora de telecomunicações Orange, Stéphane Richard por cumplicidade.

In SAPO

Israel divulga pedido de clemência do nazi Adolf Eichmann: “Não fui responsável”

“Fui um mero instrumento” e “como tal não me sinto culpado” pelos crimes do Holocausto, escreveu o criminoso de guerra que foi raptado pela Mossad na Argentina.

Dois dias antes da sua morte, por enforcamento, o conhecido criminoso de guerra nazi Adolf Eichmann, que foi capturado por agentes da Mossad na Argentina, tentou evitar a execução entregando um pedido de clemência ao então Presidente de Israel, no qual se descrevia como “um mero instrumento” forçado a cumprir a política de extermínio do regime de Hitler e não um dos arquitectos do Holocausto.

“Não fui eu o responsável e como tal não me sinto culpado”, escreveu Eichmann, para quem o tribunal sobrestimou o seu papel na morte de milhões de pessoas nos campos nazis. “Na sua avaliação da minha personalidade, os juízes cometeram um erro porque foram incapazes de simpatizar com a situação em que eu me encontrei durante anos”, alegou. “Nunca servi com uma patente tão elevada que me permitisse ter poderes de decisão independentes. Nunca dei uma ordem em nome próprio, limitei-me a agir no cumprimento de ordens que me foram dadas”, justificou, num derradeiro protesto da sua inocência.

A declaração, um manuscrito de duas páginas redigidas em alemão, foi divulgada pela primeira vez no dia em que se assinalou o 71º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, consagrado como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Notícia publicada no Público a 27 de janeiro.

Bruxelas desbloqueia 1355 milhões de euros para a Ucrânia

A provar o compromisso da União Europeia (UE) em apoiar política e economicamente a Ucrânia, Bruxelas foi palco, esta terça-feira, da assinatura de acordos que vão permitir transferir em breve 1355 milhões de euros para o governo interino de Kiev.

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O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que a verba vai “ajudar o governo ucraniano a enfrentar as necessidades de estabilização económica a curto prazo e a implementar reformas que promovam um desenvolvimento social e económico inclusivo”.

José Manuel Barroso acrescentou que a UE continua disponível para negociar com a Rússia a resolução da crise, que já levou à anexação da Crimeia e a referendos separatistas em duas outras províncias ucranianas.

Mas o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, realçou que “o senhor presidente diz que é preciso envolver a Rússia – e partilhamos totalmente da sua opinião -, mas parece que a Rússia já está muito envolvida no apoio a manifestantes e terroristas pró-russos. A Rússia não vai conseguir transformar a Ucrânia num Estado falhado!”

A correspondente da euronews em Bruxelas, Natalia Richardson-Vikulina, acrescenta que “a liderança da Ucrânia discutiu ainda com a Comissão Europeia o problema do fornecimento de gás, que também envolve a Rússia. O tema será abordado de novo numa reunião ministerial com as três partes a 16 de maio, em Atenas”.

Publicado na Euronews a 13 de maio de 2014

União Europeia não reconhece o referendo separatista na Ucrânia

Votação no referendo pró-russo ultrapassou os 80% em Lugansk e os 50% em Donetsk.A União Europeia não vai reconhecer os resultados dos “pretensos referendos” sobre a independência de Donetsk e Lugansk promovidos pelos separatistas russos.

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De acordo com a porta-voz da chefe da diplomacia europeia, os “pretensos referendos foram ilegais” e por isso os resultados não vão ser reconhecidos.

Aqueles que organizaram a votação “não têm legitimidade democrática” e a “organização a que pertencem é contrária aos objectivos da declaração conjunta de Genebra que pretende atenuar a tensão”, acrescentou Maja Kocijancic, a porta-voz de Catherine Ashton.

A votação no referendo pró-russo ultrapassou os 80% em Lugansk e os 50% em Donetsk, divulgaram este domingo os activistas pró-russos das duas regiões do
sul da Ucrânia.

“Mais de 50% já votaram na região de Donetsk. Recebemos os dados do distrito Krasnolimanski: ali a participação superou os 70%”, disse aos jornalistas Román Liaguin, chefe da comissão eleitoral da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Os votantes destas províncias de Donetsk e Lugansk, onde vivem 7,3 milhões de pessoas, de um total de 46 milhões de habitantes da Ucrânia, estão a ser questionados este domingo sobre se apoiam a criação de duas repúblicas independentes, o que é encarado por muitos como um passo antes de se juntarem à Rússia, como aconteceu com a Crimeia.

Kiev considerou o referendo para a “independência” no leste da Ucrânia uma “farsa criminosa” financiada pelo Kremlin, segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

Os resultados são anunciados na segunda-feira, apesar de serem possíveis atrasos por causa dos conflitos na região, que causaram nos últimos dias dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos.

Publicado na Rádio Renascença a 11 de maio de 2014

Comissão Europeia cria visto de circulação no espaço Schengen

As novas regras dos vistos para cidadãos de países terceiros vão beneficiar turismo e criação de emprego, diz Bruxelas.

PORTUGAL GREVE DOS PILOTOS DA AVIAÇÃO CIVIL

A Comissão Europeia vai criar um visto de circulação que permitirá aos cidadãos de países terceiros circularem durante um ano dentro do espaço Schengen. O novo visto “irá estimular a actividade económica e a criação de emprego, nomeadamente, no sector do turismo ou em actividades conexas, como as indústrias de transporte e de restauração”, revelou a Comissão numa nota divulgada esta terça-feira.

“A Europa precisa de uma política de vistos mais inteligente”, defendeu a Comissária dos Assuntos Internos, Cecilia Malmström, que quer ver reforçada “a dimensão económica” da  política de vistos comunitária. Além da criação do visto de circulação, Bruxelas quer também reduzir as burocracias, custos e prazos inerentes ao actual sistema de atribuição de vistos.

Um estudo realizado no ano passado pela Direcção-geral de Empresas e Indústria (DGEI) da Comissão Europeia concluiu que, em 2012, a Europa perdeu 6,6 milhões de potenciais viajantes, provenientes dos seis países com mais viajantes (China, Índia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Ucrânia) devido à complexidade do sistema de atribuição de vistos.

Isto implica um prejuízo anual entre 4200 a 12.600 milhões de euros e uma perda de entre 80 mil a 250 mil empregos no espaço Schengen, concluiu a análise da DGEI, destinada a aferir o impacto da introdução de vistos de curta duração no sector do turismo. A conclusão é que a criação de mecanismos mais flexíveis poderia aumentar em cerca de 30% a 60% o número de viagens à Europa dos cidadãos dos seis países referenciados, gerando despesas directas no valor de 130.000 milhões de euros num período de cinco anos.

Além deste aumento do consumo (alojamento, alimentação e bebidas, transportes, entretenimento e compras, entre outros), a flexibilização do sistema de vistos conduziria à criação de 1,3 milhões de empregos no sector do turismo e outros sectores conexos, concluiu o estudo.

A alteração à política de vistos irá “ajudar a indústria europeia do turismo a fazer face ao considerável aumento do fluxo de turistas esperado”, afirmou o vice-presidente da Comissão Europeia Antonio Tajani, que vê no sector “o motor de crescimento da Europa”.

Além dos turistas, o visto de curta duração beneficiará também os artistas que realizam espectáculos ao vivo e que viajam pelo espaço Schengen por período longos e os investigadores e estudantes que querem passar mais tempo na Europa, considera Bruxelas.

O novo visto poderá ser prorrogado por um período máximo de dois anos, desde que o requerente não permaneça mais de 90 dias num mesmo Estado Membro, por cada período de 180 dias.

As propostas apresentadas esta terça-feira, de reformulação do regulamento sobre o Código de Vistos da União Europeia e criação do visto de circulação, têm agora que ser aprovadas pelo Conselho da União Europeia e pelo Parlamento Europeu, o que deverá ter lugar no início de 2015.

Quando estas entrarem em vigor, as alterações vincularão todos os Estados Membros da UE que aplicam a política comum de vistos do espaço Schengen, assim como os quatro Estados associados (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Esta é uma política da qual estão excluídos Bulgária, Croácia, Irlanda, Chipre, Roménia e Reino Unido.

Publicado no P3 a 01 de abril de 2014

Europa tem 11 milhões de casas vazias

Em toda a Europa, existem mais de 11 milhões de casas desabitadas, de acordo com o The Guardian. Os especialistas consideram que se trata de um “desperdício chocante”, já que este número seria suficiente para alojar duas vezes todos os sem-abrigo do continente.

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Só em Espanha, existem 3,4 milhões de casas vazias. Em França contam-se mais dois milhões, o mesmo número registado em Itália, e na Alemanha são cerca de 1,8 milhões as habitações desabitadas. A situação repete-se em países como o Reino Unido, Portugal, Irlanda e Grécia.

No total, a Europa regista mais de 11 milhões de casas vazias, um número suficiente para abrigar duas vezes os sem-abrigo do continente (4,1 milhões), de acordo com o The Guardian. Esta evidência leva os representantes de imobiliárias a considerar que existe um “desperdício chocante”.

“As casas são construídas para as pessoas lá viverem. Se tal não acontece, é porque alguma coisa vai mal no mercado imobiliário”, consideram.

Muitas destas habitações representam investimentos feitos pelas famílias, nunca tendo sido habitadas.

Publicado em Notícias ao Minuto a 24 de fevereiro de 2014

Suíça excluída do programa Erasmus já a partir de setembro

O programa Erasmus de intercâmbio estudantil vai excluir a Suíça já a partir do ano letivo que começa em setembro.

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A Comissão Europeia confirmou, esta quarta-feira, detalhes da medida que tinha sido anunciado há duas semanas como resposta ao recente referendo na Suíça.

O país decidiu pela limitação da entrada de imigrantes, incluindo os oriundos da União Europeia (UE), com a qual tem um acordo de associação.

Numa intervenção no Parlamento Europeu, reunido em plenário em Estrasburgo, o comissário europeu para o Emprego e Assuntos Sociais, László Andor, disse que “já em 2014, a Suíça não vai participar no programa Erasmus em pé de igualdade com os Estados-membros da UE, como inicialmente previsto”.

“Quero deixar muito claro que este congelamento das negociações não é um castigo ou sanções contra a decisão do eleitorado suíço, mas uma consequência lógica da escolha feita pela própria Suíça e que era bem conhecida desde há muito”, acrescentou o comissário.

O anúncio caiu mal junto do eurodeputado italiano Mario Borghezio, que agitou uma bandeira da Suíça e que acusou a UE de “ditadura sobe o povo”.

Mario Borghezio foi eleito pela Liga Norte, partido nacionalista e xenófobo, que é contra a livre circulação de pessoas.

Mas este é um princípio basilar da UE e Bruxelas avisou a Suíça de que a sua violação punha em causa outros benefícios de que goza devido ao acordo de associação com a UE.

Publicado na Euronews a 26 de fevereiro de 2014

Grécia sem meios legais para pedir reparação dos crimes de guerra

O Presidente alemão, Joachim Gauck, afirmou hoje em Atenas que a Grécia não tem mais nenhuma «via legal» para reclamar compensações pelos crimes nazis, como reivindicava o seu homólogo grego, Carolos Papoulias.

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«A Grécia nunca renunciou [às compensações] e exige a abertura imediata de negociações para a resolução desta questão», disse o Presidente da República grego, que recebe Gauck numa visita de dois dias à Grécia.

Acerca desta questão antiga que ressurgiu com a crise, o Presidente alemão limitou-se a responder: «Vocês sabem que eu não posso dar outra resposta a não ser dizer-vos que a via legal está encerrada».

O Governo alemão tem dito sempre que as reparações de guerra foram reguladas no quadro de acordos estabelecidos entre os Estados na Conferência de Paris, em novembro de 1945.

O líder da oposição grega, Alexis Tsipras, do partido de estrema esquerda Syriza, fez desta questão uma bandeira, reivindicando a devida «indemnização por danos materiais e morais, numa altura em que o povo se encontra em situação de crise humanitária».

Gauck encontra-se sexta-feira com Papoulias em Liguiades, uma localidade a 400 quilómetros de Atenas, onde a 03 de outubro de 1943 os nazis mataram 90 pessoas, entre as quais várias dezenas de crianças, em represália contra ataques de resistentes gregos contra o exército alemão.

Em setembro de 2012, a Grécia criou um «grupo de trabalho» para definir o montante das reparações a reclamar a Berlim e, segundo o que foi divulgado pela imprensa, o montante seria de 162 mil milhões de euros.

O Presidente alemão exprimiu o seu «profundo respeito» pelos gregos sujeitos a fortes medidas de austeridade desde 2010 para evitar a falência do país.

Publicado na TSF a 06 de março de 2014

Bruxelas abre consulta pública sobre tráfico de animais

A França deu o exemplo, esta semana, como o primeiro país europeu a destruir toneladas de marfim a fim de sensibilizar a opinião pública para a luta contra o tráfico de animais.

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Para criar uma estratégia comum aos 28 Estados-membros, a Comissão Europeia anunciou a abertura de uma consulta pública sobre o problema.

O comissário europeu para o Ambiente, Janez Potoċnik, realçou que não estão “a falar de turistas que trazem corais na bagagem, mas de um negócio multibilionário ilegal através de redes criminosas internacionais que utilizam rotas e métodos semelhantes aos dos traficantes de drogas, armas e seres humanos”.

Enquanto ponto de trânsito, mas também destino final, a Europa entra num circuito que começa em África, com o abate ilegal de milhares de rinocerontes e de elefantes.

O marfim é sobretudo cobiçado na Ásia, onde é considerado um símbolo de poder e prosperidade.

A UE pede agora aconselhamento a peritos governamentais, grupos da sociedade civil e do setor privado sobre ferramentas para combater o tráfico e sobre a eficácia de sanções penais mais fortes.

Publicado na Euronews a 07 de fevereiro de 2014