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Jovens têm dificuldades no mercado de trabalho

O desemprego jovem é um dos grandes desafios que se colocam ao futuro da Europa. Muito se fala deste problema e muito dinheiro está a ser investido nele. O Real Economy passou por Portugal, com escalas em Lisboa e Porto, e também pela Irlanda, para observar este problema. Em ambos os países, os números do desemprego jovem caíram, mas ainda se mantém altos.

Os discursos, as políticas e o dinheiro investido sucedem-se, mas estará de facto todo este investimento a ter reflexo positivo? Em Portugal, 13,3 por cento da população ativa não tem emprego, dos quais 33,6 por cento são jovens. De facto, a situação não é tão má como em Espanha, mas ainda é uma das piores da Europa. Como é que Portugal esta a lidar com o problema e que faz falta para melhorar a situação dos jovens portugueses?

“Desde o início da crise, o número de jovens que deixaram Portugal em busca de trabalho no estrangeiro é já equivalente à população da segunda maior cidade do país, o Porto”, refere o enviado especial de Real Economy à capital “alfacinha”, apontando para mais de 200 mil emigrantes portugueses entre os 20 e os 40 anos, “muitos deles com um elevado currículo académico”. Esta questão do alto nível de instrução não, porém, um exclusivo português: “41 por centos dos emigrantes europeus possui formação universitária”, sublinha.

Adaptação de notícia publicada na Euronews a 10 de março.

Hawking avisa que progresso tecnológico pode ser “autogolo” para a Humanidade

O cientista alerta para o facto de um “desastre para o planeta Terra” ser “quase certo nos próximos mil ou dez mil anos” e aponta as colónias no espaço como a possibilidade de sobrevivência do Homem.

Stephen Hawking alertou para os riscos que a Humanidade tem fabricado para si mesma e para o seu futuro afirmando que o progresso tecnológico e científico criará “várias formas de as coisas puderem correr mal” e pode mesmo significar um “autogolo” da Humanidade contra si própria.

Enumerando a guerra nuclear, o aquecimento global ou vírus geneticamente modificados, que acrescem aos perigos da Inteligência Artificial já anteriormente apontados por Hawking, o físico avisou que “um desastre para o planeta Terra” é “quase certo nos próximos mil ou dez mil anos”.

A sobrevivência da espécie humana residirá, então, na criação de colónias no espaço. “Contudo, não estabeleceremos colónias autossuficientes no espaço pelo menos durante os próximos cem anos, por isso temos de ser bastante cuidadosos neste período”.

Adaptação de notícia publicada no Diário de Notícias a 19 de janeiro.

Seis portugueses que influenciam a ciência mundial

Estão na lista dos mais citados do mundo. E estão a fazer um trabalho inovador nas respetivas áreas

Há uma química, dois engenheiros, um físico, um matemático e um biogeógrafo. Os seus nomes: Isabel Ferreira, Mário Figueiredo, José Bioucas-Dias, Nuno Peres, Delfim Torres e Miguel Araújo. São seis portugueses e integram a lista dos cientistas mais citados do mundo da Thomson Reuters 2015, que inclui 3126 nomes. Um reconhecimento que, dizem eles, também é extensivo às instituições em que trabalham, e ao próprio país.

“Este é um dos dados com peso para os rankings internacionais das universidades, e o número de pessoas nesta lista por milhão de habitantes constitui uma das medidas do impacto da ciência de um país”, explica Mário Figueiredo, engenheiro eletrotécnico e investigador do Instituto de Telecomunicações, no Instituto Superior Técnico (IST). Para o cientista, na lista pelo segundo ano consecutivo, seis é “um bom número”. “Estamos bem posicionados nesse parâmetro, entre a França e a Alemanha”.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, confessa-se satisfeito, por este ser “o resultado de uma política científica de várias décadas”. É um “motivo de orgulho”, diz – entre 2005 e 2011, Manuel Heitor foi secretário de Estado do antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago. O seu objetivo é continuar esse legado, pelo que vai “mudar a política científica” do anterior governo e voltar a apostar mais na formação avançada e emprego científico, como diz em entrevista ao DN.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 10 de janeiro.

“Intolerância ao leite é moda”

A endocrinologista Isabel do Carmo afirma que a suposta intolerância à lactose é uma moda, para a qual não existe qualquer fundamento científico, e que resulta da influência da indústria de produção de soja.

Este tema foi tratado pela especialista durante o seminário “Consumo de leite e laticínios — O que pode estar a mudar”, no dia 13 de janeiro, num painel subordinado ao tema “Elogio do leite”, no qual vai explicar a relação entre o leite e a evolução do ser humano, na Europa.

“O ser humano estabeleceu-se há sete mil anos com o pastoreio. Nessa altura o adulto perdia a lactase. Houve depois uma mutação que permitiu que desdobrasse a lactose”, explicou à Lusa.

Isso significa que há milhares de anos que os europeus possuem essa enzima chamada lactase, que desdobra a lactose, e permite ao organismo processar este açúcar presente no leite, pelo que considera que “a história da intolerância ao leite está mal contada”.

“A mutação tem sete mil anos. E não há nenhuma mutação atual ao contrário. A intolerância é uma moda, que suspeito seja influência da indústria norte-americana de produção de soja e leite soja”, afirmou.

A médica sublinha, a propósito, que a tendência para se deixar de consumir derivados de leite também não faz sentido, visto que estes alimentos não possuem lactose.

“Quando o leite se transforma em iogurte ou queijo, mesmo para quem tenha efetivamente intolerância, deixa de haver lactose e passa a haver ácido láctico [a lactose transforma-se em ácido láctico por fermentação] e o valor nutricional mantém-se”.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 13 de janeiro.

Empresas podem vigiar conversas online dos trabalhadores

Tribunal Europeu dos Direitos do Homem decidiu. Conversas privadas online no trabalho são razão para despedimento.

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) decidiu que uma empresa pode, afinal, vigiar as conversas privadas via chat (online) dos seus trabalhadores e que estes podem, inclusivamente, ser despedidos por isso.

A decisão avançada pelo jornal britânico The Guardian refere-se ao caso de um engenheiro romeno que em 2007 foi despedido porque falava no chat do Messenger com a sua noiva.

No entanto, em abril do ano passado, o Conselho da Europa definiu novas regras a adotar pelas empresas, públicas ou privadas, para reforçar a defesa da privacidade dos seus colaboradores. Uma das regras defendia a proibição de vigiar as redes sociais (Facebook e twitter) dos seus trabalhadores.

Em Portugal alguns casos de utilização de redes sociais no trabalho também já foram notícia: em 2010, um grupo de trabalhadores da TAP foi obrigado pela empresa a frequentar um curso de ética devido a um aceso debate via Facebook em que criticavam abertamente colegas e a própria empresa. Mas as sanções limitaram-se a este processo disciplinar e não chegou a um despedimento.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 13 de janeiro.

Consórcio europeu liderado pelo LNEC estuda efeitos de alterações climáticas na água

O projeto conta com uma equipa de 70 elementos, de centros de investigação, autoridades da água, utilizadores, indústria e empresas.

Entidades de vários países, lideradas pelo LNEC, obtiveram financiamento europeu de oito milhões de euros para a realização de previsões das mudanças climáticas e análise de formas de gerir os seus efeitos no ciclo da água.

O objetivo “é avaliar, de forma inovadora, os impactos das alterações climáticas no ciclo integrado da água, das águas superficiais, às subterrâneas ou costeiras, promovendo estratégias de gestão do risco e de medidas de adaptação”, disse hoje à agência Lusa a coordenadora do consórcio, Rafaela de Saldanha Matos, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

As estratégias a propor vão basear-se “numa lógica de diminuição de vulnerabilidades e de acréscimo da capacidade de resiliência do sistema”, acrescentou a investigadora e diretora do departamento de Hidráulica e Ambiente do LNEC.

O projeto conta com uma equipa de 70 elementos, de centros de investigação, autoridades da água, utilizadores, indústria e empresas, e vai seguir seis casos, três localizados no norte da Europa (Noruega, Holanda e Alemanha) e três no sul (Espanha, Portugal e Chipre).

Em Portugal, que vai receber dois milhões de euros do total, os parceiros são, além do LNEC, a EPAL, a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e a Sociedade Portuguesa de Inovação, e foi escolhida a zona da bacia do Tejo.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 7 de março.

Duas novas drogas detetadas por semana na Europa em 2014

Número de novas drogas detetadas aumentou no ano passado para 101.

O observatório europeu da droga detetou em 2014 duas novas drogas por semana, num total de 101, mais 20 do que no ano anterior, o que confirma a tendência de aumento do número de substâncias notificadas anualmente.

Segundo informações hoje divulgadas pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), o Sistema de Alerta Rápido da UE recebeu 101 notificações de novas substâncias psicoativas no ano passado, quando em 2013 foram 81, e encontra-se a monitorizar atualmente mais de 450 substâncias, mais de metade das quais identificadas apenas nos últimos três anos.

A lista de substâncias notificadas em 2014 revela novamente dois grupos predominantes, as catinonas sintéticas (31 substâncias), vendidas como substitutos legais das drogas estimulantes, e os canabinóides sintéticos (30 substâncias), vendidos em substituição da ‘cannabis’.

Estes são os dois maiores grupos atualmente monitorizados pelo Sistema de Alerta Rápido, representando quase dois terços das novas drogas notificadas em 2014, revela o EMCDDA.

Os dados mais recentes relativos às apreensões sugerem um crescimento do mercado das novas substâncias psicoativas, demonstrando que, entre 2008 e 2013, o número de apreensões aumentou sete vezes a nível europeu.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 9 de março.

Maioria dos países da UE rejeitam exército europeu

A Alemanha é o único dos grandes Estados membros a defender solução vista como incompatível com a NATO e que traduz, com a bandeira e a moeda únicas, uma solução federal.

A criação do Exército europeu relançada pelo atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tem na Alemanha um dos poucos apoiantes dentro da UE, onde a maioria dos países rejeita enfraquecer a NATO.

Essa opção política implicaria assumir a tese federalista – rejeitada liminarmente por Londres – da integração europeia, que já tem uma bandeira e uma moeda comuns e a que só falta um braço armado único. Mas “não tem pernas para andar. Basta olhar para os orçamentos militares dos países europeus”, diz o general Loureiro dos Santos ao DN.

“O Exército europeu não é uma ideia nova, aparece de vez em quando, sobretudo influenciada por uma visão europeísta continental”, que “poderia constituir um elemento dissuasor” no caso de um conflito militar tradicional como o da Ucrânia, admite o antigo ministro da Defesa e ex-chefe militar do Exército.

Porém, a ameaça terrorista do chamado Estado Islâmico “não se resolve com um exército militar europeu” mas responde-se “essencialmente através da prevenção dos serviços de informações e, na resposta, pelas unidades especiais das forças de segurança” – com apoio das Forças Armadas “de cada um dos países” às autoridades policiais – como sucede em França ou na Bélgica – e “sem ser necessário o exército europeu”, frisa Loureiro dos Santos.

Notícia publicada no Diário de Notícias a 10 de março.

França não proíbe palmadas às crianças e viola tratado europeu

Conselho da Europa diz que direito francês “não prevê uma proibição suficientemente clara, vinculativa e precisa”.

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A França está a violar a Carta Social Europeia por não proibir de forma “suficientemente clara” os castigos corporais infligidos às crianças, como as palmadas, alertou hoje o Conselho da Europa.

O direito francês “não prevê uma proibição suficientemente clara, vinculativa e precisa”, nem pela lei, nem pela jurisprudência, considerou a Comissão Europeia dos Direitos Sociais (CEDS).

O mesmo órgão do Conselho da Europa lamentou que “subsista uma incerteza” relativamente à existência de um “direito de correção” reconhecido pela justiça francesa.

Esta situação constitui “uma violação” da Carta Social Europeia, de acordo com os peritos do CEDS, guardiões deste tratado vinculativo para os Estados-membros do Conselho da Europa que ratificaram o documento, indica a mesma decisão.

Este alerta não é inédito, a mesma comissão já constatou, em três ocasiões, que o direito francês violava a Carta, mas pela primeira vez a decisão resulta de uma reclamação feita por uma organização não-governamental de proteção das crianças, “Approach”, com sede em Londres.

Publicada no Diário de Notícias a 4 de março.

Cientista português está a criar robô para explorar Marte

A próxima missão de procura de vida em Marte, que terá um robô europeu a andar pelo planeta de poeiras avermelhadas a partir de 2019, já rola aqui na Terra — nomeadamente por cima de 300 toneladas de areia, a meia centena de quilómetros a norte de Londres. É lá que um grupo de cientistas, chefiados pelo engenheiro aeroespacial português Nuno Silva, construiu um terreno para testes que imita a areia e as rochas no solo marciano.

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A próxima missão de procura de vida em Marte, que terá um robô europeu a andar pelo planeta de poeiras avermelhadas a partir de 2019, já rola aqui na Terra — nomeadamente por cima de 300 toneladas de areia, a meia centena de quilómetros a norte de Londres. É lá que um grupo de cientistas, chefiados pelo engenheiro aeroespacial português Nuno Silva, construiu um terreno para testes que imita a areia e as rochas no solo marciano.

Este Terreno de Marte, como se chama, de 30 metros de comprimento por 13 de largura, inaugurado em Março nas instalações da empresa Airbus Defence and Space, em Stevenage, está a ser percorrido por três protótipos do futuro robô europeu: os veículos Bridget, Bruno e Bryan. O objectivo é não deixar nada ao acaso na futura missão a Marte: a ExoMars, uma viagem conjunta entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, a agência espacial da Rússia, e que está estimada em 1200 milhões de euros.

Nem a Europa nem a Rússia alguma vez chegaram com sucesso à superfície de Marte, ou não fosse este planeta um cemitério de sondas (uma das razões deve-se à sua atmosfera pouco densa, pelo que a resistência do ar que ajuda a travar a velocidade das sondas é menor).

O Beagle 2, um módulo britânico levado à boleia pela sonda Mars Express, da ESA, estatelou-se lá em baixo em 2003. E o mesmo aconteceu às tentativas da ex-União Soviética, que até foi o primeiro país a tentar pôr uma sonda em solo marciano, a Mars 2, em 1971. Só que se despenhou. Apenas os Estados Unidos, a começar com as duas sondas Viking em 1976 e a acabar com o robô Curiosity em 2012, foram bem sucedidos.

Composta por duas partes, a ExoMars começará com o lançamento em 2016 de uma sonda que se manterá em órbita de Marte, servindo para estabelecer as comunicações entre a Terra e os aparelhos que a missão enviará para a superfície do planeta, em 2016 e 2019. Essa sonda, a Trace Gas Orbiter, também servirá para estudar os gases na atmosfera do planeta, como o metano, que pode ter origem biológica. Por último, a sonda transportará um módulo de demonstração – o Schiaparelli – que irá até ao solo marciano, ainda em 2016. “Será um módulo de aterragem pequeno e terá alguns equipamentos científicos, que durarão cerca de dois dias. O objectivo é mais político: a Europa quer demonstrar que sabe aterrar em Marte”, diz Nuno Silva.

Em 2018, avançará a segunda parte da ExoMars, com o lançamento do módulo de aterragem que levará o robô (de seis rodas) para Marte, e que lá chegará Janeiro de 2019. O desenvolvimento deste módulo está agora a cargo da Rússia, substituindo os Estados Unidos nesta parte da missão. “Os russos também querem demonstrar que sabem aterrar em Marte. Até agora não conseguiram.”

É de dentro do módulo de aterragem russo que depois sairá por umas rampas o rover da Europa, o elemento principal da ExoMars. Sozinho, de forma autónoma, será capaz de percorrer até 100 metros por dia e funcionará a energia solar. Os segredos que Marte guarda sobre a vida no planeta estarão à sua espera. Chegou mesmo a existir? Ou ainda existe?

Nuno Silva, de 35 anos, é responsável pela equipa de oito investigadores que desenvolve a navegação autónoma do robô na Airbus Defence and Space, desde o software até ao equipamento, incluindo as suas câmaras de navegação e localização, e explica a razão de ser do terreno marciano aqui na Terra. “Estamos a desenvolver o piloto-automático do rover. Isso permitirá que seja comandado desde a Terra. Em Marte, ele fará tudo sozinho, evitando obstáculos. Para testar isso, temos um simulador. Mas os simuladores não estão completamente isentos de riscos: pode haver coisas que não estamos a modelizar e que são importantes, e algumas são bastante difíceis de modelizar.”

É pois para isto que estão agora a servir a Bridget, o Bruno e o Bryan, já usados antes como modelos de locomoção do futuro robô. Tanto quanto sabe Nuno Silva, o terreno marciano onde andam é o maior espaço coberto na Europa para testar rovers, robôs com rodas. A experiência tinha de ser sem chuva, porque em Marte não chove. “Com solo molhado, os testes são inválidos”, esclarece. A sua equipa é que decidiu as características do terreno, que custou cerca de 500 mil euros.

Depois de ter estudado Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico, o programa Erasmus levou em 2000 Nuno Silva a Toulouse (França), até à Escola Nacional Superior de Aeronáutica e do Espaço, seguindo-se um estágio em 2001 na Airbus Defence and Space na zona de Paris, onde continuou até ao final de 2007 (trabalhou no foguetão Ariane 5 e no Veículo Automático de Transferência, o cargueiro que abastece a Estação Espacial Internacional). No início de 2008 foi para Stevenage desenvolver a navegação autónoma do robô da ExoMars, máquina cuja construção está a cargo da Airbus Defence and Space (por uma equipa de 80 pessoas), enquanto a empresa Thales Alenia Spazio é a responsável geral do projecto ExoMars para a ESA, incluindo os instrumentos científicos.

Utilizada na construção civil, em particular em campos de ténis, a areia do Terreno de Marte foi escolhida com todo o cuidado. “Temos de ter uma areia que na Terra, com a gravidade da Terra, se comporte como uma areia de Marte com a gravidade de Marte”, explica o investigador, dizendo ainda que a gravidade da Terra é três vezes superior à de Marte. Por esta razão, a areia no nosso planeta está três vezes mais comprimida, o que influencia o comportamento do rover.

“A areia tem aproximadamente o mesmo tipo de grãos que existe em Marte: o diâmetro é o mesmo e a composição química é parecida. Os grãos de areia dão a mesma tracção do que os grãos de areia dão em Marte. E o mais importante para nós: a cor é a mesma.”

Para planear um caminho do robô e descobrir qual é a sua posição e orientação em Marte, os cientistas vão utilizar câmaras destinadas a captar o ambiente visual. “O rover usa imagens para fazer estas duas funções – planear um caminho e descobrir a posição e orientação –, por isso o que vê tem de ser muito parecido com o que se vê em Marte. A cor faz parte disso.”

Outro aspecto relevante no desenvolvimento do sistema de navegação autónoma do robô são as rochas que pode encontrar pelo caminho e a sua capacidade de subir as mais pequenas, até 25 centímetros de altura, e de evitar as maiores. “O rover é capaz de subir as rochas mais pequenas e evitar automaticamente as que não consegue subir, para não se danificar.” A inclinação do terreno também é importante: “Se for muito inclinado, o rovernão o consegue subir e poderá ficar enterrado na areia”, explica Nuno Silva.

Publicado no P3 a 05 de maio de 2014